Como o Setor Terrestre Pode Colocar em Risco o Limite de Aquecimento de 1,5°C

O Desafio Climático e a Dependência do Setor Terrestre

Bill Hare, CEO e fundador da Climate Analytics, e Claudio Forner, chefe de política climática da organização, alertam sobre um grave problema: a atual dependência do setor terrestre para compensar emissões pode colocar em risco o limite de aquecimento de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

O Problema dos “Offsets” de Carbono

A comunidade científica é clara: equiparar emissões de combustíveis fósseis com sequestro de carbono terrestre é cientificamente falho. Enquanto o CO₂ fóssil permanece na atmosfera por milênios, os sumidouros terrestres são impermanentes – especialmente com o aumento global de incêndios florestais.

Casos Preocupantes: Austrália e Brasil

Dois exemplos ilustram a escala desta crise climática:

1. O Caso Australiano

A Austrália revisou continuamente seus dados de sequestro de carbono, permitindo que quase atinja sua meta para 2030 sem cortes significativos nas emissões fósseis.

2. A Situação Brasileira

O Brasil, anfitrião da COP30, apresenta um NDC 2035 opaco que não diferencia contribuições dos setores terrestre e de combustíveis fósseis, enquanto suas emissões energéticas continuam crescendo.

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A Fertilização de Carbono: Um Problema Oculto

Estima-se que 44% do carbono sequestrado desde 2000 se deve ao efeito de fertilização por CO₂ atmosférico – consequência direta das emissões fósseis. Este fenômeno natural é frequentemente contabilizado como resultado de ações humanas de manejo florestal.

Florestas Boreais: Contabilidade Questionável

Há uma discrepância alarmante entre os dados governamentais (que mostram o setor terrestre como sumidouro) e modelos globais (que o mostram como fonte de emissões). A diferença equivale a todas as emissões dos EUA em 2023.

Recomendações para Ação Climática Efetiva

O relatório da Climate Analytics propõe medidas urgentes:

  • Foco prioritário na descarbonização das economias
  • Metas separadas para o uso da terra
  • Transparência sobre a dependência de sumidouros
  • Compromisso com desmatamento zero até 2030

O Caminho a Seguir

Em vez de truques contábeis, os governos devem priorizar reduções reais de emissões fósseis. Com ação concertada, o setor terrestre pode sim contribuir para limitar o aquecimento a 1,5°C, mas não como substituto para cortes profundos nas emissões de combustíveis fósseis.

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