Diplomatas brasileiros pressionam por avanços em Bonn
Os diplomatas brasileiros que presidirão a COP30 em novembro anunciaram que buscam uma “colheita precoce” nas negociações climáticas de junho em Bonn. O objetivo é garantir acordos sobre duas questões-chave não resolvidas na COP29: o Programa de Trabalho de Transição Justa (JTWP) e as recomendações da Global Stocktake (GST) de 2023.
Foco em transição energética e metas climáticas
Liliam Chagas, diplomata climática do Brasil, destacou a urgência em alcançar “avanços reais” nas sessões de Bonn. O JTWP discute como fazer a transição para uma economia mais verde, enquanto o GST avalia como os governos devem responder ao desvio das metas de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
“Essas decisões mostrarão que o processo da COP funciona e é resiliente” – Liliam Chagas, diplomata brasileira
Desafios da Global Stocktake
A revisão GST de 2023 mostrou que, apesar dos progressos, as ações governamentais ainda são insuficientes para atingir a meta de 1,5°C. Na COP28, os países concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável e fazer a transição dos combustíveis fósseis, mas esses compromissos não foram incluídos nos resultados da COP29.
Resistência e avanços
A Arábia Saudita se opôs a menções sobre combustíveis fósseis nos textos formais, enquanto a presidência da COP30 defende que o GST deve guiar a “Missão 1.5”, incluindo a aceleração da transição energética e o combate ao desmatamento até 2030.
Programa de Trabalho de Transição Justa
As negociações sobre o JTWP também enfrentaram obstáculos na COP29, com divergências sobre financiamento, direitos humanos e medidas trabalhistas. A presidência brasileira descreve o conceito como “dinâmico e de relevância primordial para a vida real das pessoas”.
“Um acordo sólido em transição justa está ao alcance” – Anabella Rosemberg, Rede de Ação Climática Internacional
Objetivo Global de Adaptação
A terceira prioridade destacada pela presidência brasileira é o Objetivo Global de Adaptação (GGA), que visa criar uma estrutura para medir a resiliência climática. André Corrêa do Lago, presidente da COP30, enfatizou que “a adaptação tornou-se absolutamente central porque a mudança climática está aqui”.
Roteiro Baku-Belém e financiamento
O roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático será desenvolvido em consulta com governos e stakeholders. Um rascunho será publicado em 8 de setembro, com o lançamento oficial previsto para a COP30.
Chamado para evitar conflitos de agenda
A presidência brasileira alertou sobre a necessidade de evitar “itens potencialmente controversos” que possam sobrecarregar as negociações. A carta também reconheceu os pedidos de reforma do processo da COP, sugerindo adaptações para a era de implementação das metas climáticas.
Conteúdo original disponível em: Climate Change News


